cantarocantar:

Viver… o senhor já sabe: viver é etcétera.
JOÃO GUIMARÃES ROSA

cantarocantar:

Viver… o senhor já sabe: viver é etcétera.

JOÃO GUIMARÃES ROSA

(Source: nouf1996)

cantarocantar:

devíamos ser alfabetizados em poesia
para a alma aprender a ler mais cedo
ANA PELUSO

cantarocantar:

devíamos ser alfabetizados em poesia

para a alma aprender a ler mais cedo

ANA PELUSO

(Source: nevver)


Edifício Andradas
Av.Ipiranga / São Paulo 
Foto by Gui Mohallem

Edifício Andradas
Av.Ipiranga / São Paulo
Foto by Gui Mohallem

AQUI DIGO: QUE SE TEME POR AMOR; MAS QUE, POR AMOR, TAMBÉM, É QUE A CORAGEM SE FAZ”
(GUIMARÃES ROSA)

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou trocá-la em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
Eu vou tirar suas impressões digitais
da minha pele
Tirar seu cheiro
dos meus lençóis
O seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos “nãos” se faz um sim 

Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos “nãos” se faz um sim

Itamar Assumpção e Alice Ruiz

Para que serve a utopia? 

Para caminhar!

Fernando Berri

o arrozque se planta se colheo amorque se planta se colheo que vaivolta um dia mais forteo que ficaescondido explodeo feijãoque se planta se colhesolidãoque se planta se colhese fugira estrada te escolhee o destinotambém não dá moleao redorpra onde quer que se olhea saídaé uma porta que encolheafliçãoque se planta se colhealgodãoque se planta se colhese cairnessa chuva se molhesempre há sedepra dar mais um goletoda culpase planta e se colhena garupado tempo que correcada grãoque se planta se colhefuracãoque se planta se colhecada uminaugura sua prolepedra duraprocura água moletudo vemquando o tempo é propíciotodos têmsua porção precipícioo que sabenão busca sentidoo que soberetorna caídoilusãoque se planta se colheconfusãoque se planta se colhenum segundoo desejo te engolesó não correesse risco quem morre
Arnaldo Antunes

o arroz
que se planta se colhe
o amor
que se planta se colhe
o que vai
volta um dia mais forte
o que fica
escondido explode
o feijão
que se planta se colhe
solidão
que se planta se colhe
se fugir
a estrada te escolhe
e o destino
também não dá mole
ao redor
pra onde quer que se olhe
a saída
é uma porta que encolhe
aflição
que se planta se colhe
algodão
que se planta se colhe
se cair
nessa chuva se molhe
sempre há sede
pra dar mais um gole
toda culpa
se planta e se colhe
na garupa
do tempo que corre
cada grão
que se planta se colhe
furacão
que se planta se colhe
cada um
inaugura sua prole
pedra dura
procura água mole
tudo vem
quando o tempo é propício
todos têm
sua porção precipício
o que sabe
não busca sentido
o que sobe
retorna caído
ilusão
que se planta se colhe
confusão
que se planta se colhe
num segundo
o desejo te engole
só não corre
esse risco quem morre

Arnaldo Antunes

Libação

Peço aos deuses do calendário

aos orixás das transformações:

nos livrem do infértil da ninharia

nos protejam da vaidade burra

da vaidade “minha” desumana sozinha

Nos livrem da ânsia voraz daquilo que

ao nos aumentar nos amesquinha.

A vida não tem ensaio mas tem novas chances

Viva a burilação eterna, a possibilidade:

o esmeril dos dissabores!

Abaixo o estéril arrependimento

a duração inútil dos rancores

Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:

a vida inédita pela frente

e a virgindade dos dias que virão!

Elisa Lucinda

        

                                                             Salvador Dalí

Deixa o coração falar também
Porque ele tem razão demais
Quando se queixa
Então a gente deixa, deixa, deixa, deixa
Ninguém vive mais do que uma vez
Deixa…

Vinicius de Morais e Baden Powell

“Ya no la quiero, es cierto,

pero cuánto la quise…”

Pablo Neruda

Leminski

das coisas que eu fiz a metro

todos saberão 

quantos quilômetros são

aquelas em centímetros

sentimentos mínimos

ímpetos infinitos

não?

Klimt x Florbela Espanca

O nosso mundo

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?

Que importa o mundo, seus orgulhos vãos?

O mundo, amor?

As nossas bocas juntas!

(Florbela Espanca)

NIGHTNIGHT by DEDDY